O cabeleireiro habitual fica um pouco longe e é caro.
É a escolha porque foi o único que agradou, que mostrou preocupação, personalização, cuidado, simpatia, múltiplas possibilidades de escolha, um ambiente agradável.
Desta vez resolve experimentar um novo, mais perto, quem sabe as coisas não terão mudado.
Recomendam um sítio que “é diferente dos outros”.
Não precisa de fazer marcação, ao contrário do tal que fica mais longe e é caro.
Vai mesmo experimentar.
É recebida como se não entrasse no local.
Não a saúdam. Não lhe perguntam ao que vai. Não lhe pedem para aguardar um pouco.
Aguarda.
Vai observando.
Móveis carregados de pó. Empregados desalinhados, no mau sentido (sujos, desaprumados).
Chega a sua vez. Tem que repetir as suas ideias para o corte de cabelo, não fazem cerimónia em demonstrar que não entendem e que não gostam da ideia.
Corte como outro qualquer, embora se perceba que o dono (que foi quem fez a operação) é experiente.
– “Quer laca?”
– “Não, obrigada.”
Distrai-se por uns segundos, e aplica laca.
Conta. Um terço do preço do tal que fica longe e é caro.
Ir embora, e pensar: – “Não vale a pena, desisto, o Hairtz é o melhor, e não adianta procurar outros…”
Para este outro, mais perto e mais barato, foi uma cliente anónima que por ali passou, e isto resume tudo.

E, assim, sem fazer nada por isso naquele preciso momento, o caro e distante reforça a fidelização da cliente. O mais próximo e barato… desperdiça a oportunidade, caída do céu, de conquistar mais um cliente, cliente este que, ainda por cima, até está habituado a pagar bastante mais (ou seja, o preço não era ali determinante para a fidelização).

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