Na norma anterior (ISO 9001:2008) existia um requisito dedicado às Acções Preventivas que desaparece na nova edição (ISO 9001:2015). Ultimamente, tem começado a generalizar-se a ideia dum efectivo desaparecimento da “ideia preventiva“.

 

Não é bem assim.

 

O requisito 8.5.3. Acções preventivas foi retirado, mas a “ideia preventiva” não só não desapareceu como vê reforçada a sua importância, e, por isso, perceber os conceitos vai ser muito útil para uma adequada transição entre edições da norma (e para um sistema válido e “certificável”).

Sendo assim, aproveito para ilustrar com uma analogia muito simples as diferenças entre correcção, acção correctiva, e acção preventiva.

 

1: Acções Preventivas

No final de Agosto pensei em iniciar um plano de treino baseado na saudável prática do jogging.

Depois de ter pensado em todos os benefícios potenciais, tratei de avaliar se dispunha dos recursos indispensáveis. Mais ou menos nesta fase, lembrei-me de que no Inverno seria muito provável que chovesse. Em seguida pensei que se chovesse e eu corresse à chuva poderia ficar doente.

Então pensei se poderia correr sem ser ao ar livre. Conclui que até poderia fazê-lo mas não queria.

Então pensei se haveria forma de evitar ficar doente correndo no exterior e à chuva.

Pesquisei e decidi:

  • Tomei a vacina contra a gripe
  • Comprei calças, camisola, e casaco com capuz preparados para a chuva, com boas características de impermeabilização
  • E, além disso, instalei uma app no telemóvel que me permite aceder à previsão meteorológica horária para o local exacto onde pretenda fazer o jogging – o que já me permitiu, ocasionalmente, ajustar os horários ou o local do treino

Assim, e racionalizando que:

  1. Uso vestuário adequado
  2. Tomei a vacina
  3. Instalei uma app que me permite ajustar horários

Estas são as medidas que, combinadas, me permitiram “não ficar doente”. São as acções preventivas!


 

2: Acções Correctivas

No final de Agosto do ano passado pensei em iniciar um plano de treino baseado na saudável prática do jogging.

Estava motivado.

Comecei de imediato. Gostei, fiquei viciado. Não parei até ao dia em que…

Fiquei doente (com gripe).

Claro, fui ao médico, tomei medicação e voltei a correr assim que pude, mas a situação repetiu-se uma vez ou outra nesse ano.

Este ano, como não queria voltar a passar pelo mesmo, comecei a pensar na razão pela qual tinha ficado doente, tinha que evitar que se repetisse.

Concluí que seria porque:

  • Corri à chuva, porque queria mesmo correr, não queria perder o treino
  • Não tinha protecção especial em termos de vestuário – ficava exposto ao vento e à chuva
  • E, alertou-me o médico, não tinha tomado a vacina contra a gripe

 

De forma decidida, fiz o seguinte:

  • Tomei a vacina contra a gripe
  • Comprei calças, camisola, e casaco com capuz preparados para a chuva, com boas características de impermeabilização
  • E, além disso, instalei uma app no telemóvel que me permite aceder à previsão meteorológica horária para o local exacto onde pretenda fazer o jogging – o que já me permitiu, ocasionalmente, ajustar os horários ou o local do treino

 

Assim, e racionalizando que agora:

  1. Uso vestuário adequado
  2. Já tomei a vacina
  3. Instalei uma app que me permite ajustar horários

Estas são as acções correctivas – as medidas que, combinadas, me permitirão não ficar doente outra vez.


 

As acções correctivas, sendo as mesmas que no caso anterior, são no entanto “correctivas” porque só as adoptei depois de ocorrido o acidente, o episódio negativo (depois de ter ficado doente).

Ao contrário, no primeiro caso, ao ter avaliado os riscos e actuado antes de ficar doente, evitei que tal viesse a acontecer, e isto tratou-se dum comportamento preventivo.

 

Preventivo

Evitamos que algum dia chegue a acontecer aquilo que não queremos.

Correctivo

O problema já ocorreu, vamos evitar que se repita.


3: Correcção

  1. Fiquei doente (com gripe).
  2. Tomei medicação e voltei a correr assim que pude.
  3. Voltei a ficar doente.
  4. Etc.

Tomei medicação é a correcção, é o que me repôs em estado normal, tratou os meus sintomas.

Pôs-me bem no momento, só que… não contribuiu para que não se repetisse.

 


Exemplo real neste link.

Se pretender, envie-me email e disponibilizo outros exemplos em contexto profissional – ou mais destas analogias)

Pin It on Pinterest

Share This

Partilhar

Partilhar

Partilhe este conteúdo!

%d bloggers like this: